Plataformas digitais viram matéria da faculdade

Com o avanço das tecnologias e das formas interativas de comunicação e produção de conteúdo para a internet, cursos focados em gestão de mídias digitais e sociais se tornaram necessários. Muitos nichos de mercado estão migrando para plataformas online, nas quais podemos encontrar e-commerce (comércio eletrônico) de bens e serviços, que vão desde saúde e alimentação até moda e comportamento. Nesse ambiente, quem se atualiza pode garantir boas oportunidades de emprego ou negócio. Por isso, muitas instituições de ensino superior começaram a investir em disciplinas dedicadas às mídias sociais e ao marketing associado à comunicação.


Uma instituição que aposta no entendimento das ferramentas tecnológicas para a melhor inserção do aluno no mercado de trabalho é o Ibmec. Os professores e coordenadores do curso de Jornalismo da instituição no Rio de Janeiro resolveram inovar e lançaram, há dois anos, uma disciplina eletiva sobre mídias sociais e marketing de conteúdo. Para o coordenador e professor do curso, Márcio Gonçalves, há uma demanda muito grande de alunos e jovens profissionais que querem lidar melhor com o mercado. “Por isso, desenhamos todo o conteúdo do curso para atender alunos de Engenharia, Administração, Jornalismo, Publicidade, para que eles entendam a relação empresa-consumidor”, conta o coordenador. Além de multidisciplinar, a disciplina tem outro diferencial: é ministrada totalmente em inglês. O objetivo, de acordo com Gonçalves, é “preparar o aluno para trabalhar em vários mercados, como nas multinacionais”.


O marketing de conteúdo, conceito que tem sido alvo de pesquisas e investimentos de grandes empresas, é a forma que as marcas usam para se aproximar dos consumidores. Com o crescimento das redes sociais, os meios para atrair o cliente aumentaram ainda mais. “Textos, vídeos, memes, GIFs. São esses conteúdos que os consumidores vão acessar ao entrar nas redes sociais de uma marca. Isso vai fazer sentido para eles e, consequentemente, vão estreitar o relacionamento com aquela marca”, explica.


Arte e tecnologia. A tecnologia avança com rapidez também no campo da cultura e das artes. Para quem gosta da área, é cada vez mais necessário conhecer as formas e os conteúdos relacionados à interatividade e à conectividade nas produções artísticas e audiovisuais. Uma das primeiras exposições do Itaú Cultural neste ano, por exemplo, tratou do assunto por meio de um simpósio e de exposições com obras que discutem o processo criativo na era da inteligência artificial e da evolução das máquinas.


Quem lembra dessas e outras iniciativas artísticas é o coordenador do curso de Artes Visuais da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap), Marcos Moraes. Segundo o docente, é impossível pensar na produção artística atual sem considerar a influência que as redes sociais e as mídias digitais exercem sobre ela. “Hoje, temos uma disciplina chamada História das Novas Mídias, que vai estabelecer relações entre a arte e a comunicação e vai levar o aluno a pensar sobre estética digital e todas as novas tecnologicas.”


As novas disciplinas vêm sendo incorporadas à grade desde 2012. Além da compreensão do mundo conectado e digital nas artes, o objetivo é fazer com que o aluno “pense, problematize e analise todos esses entrecruzamentos de linguagem”, como explica Marcos. “Se você conversar hoje com um aluno e perguntar quais são as referências artísticas dele, com certeza, ele vai citar alguém que segue no Instagram ou no Facebook. Isso significa que o vocabulário, os meios, as referências, os modos de produção, tudo está relacionado às novas linguagens e aos meios que a tecnologia traz.”


3 perguntas para…

Pollyana Ferrari, professora de Jornalismo na PUC

Que disciplinas já falam de mídias sociais no Jornalismo da PUC? Uma vai entrar em 2020 sobre checagem de fatos, que eu vou ministrar. Há dois anos temos Jornalismo de Dados, uma disciplina de narrativas transmídia. Você junta as linguagens do vídeo, do podcast e de stories aplicados ao jornalismo.


Qual é a importância da checagem? O jornalismo é necessário, é uma prestação de serviço. Os formatos mudaram. Você antes contava uma história na TV, no rádio, no impresso. Hoje tem tudo isso e mais vídeo, live do Facebook, canal do YouTube, Stories do Instagram, twitter, enfim. Ganhamos plataformas de trabalho. Por isso, as grades, os cursos e as redações precisam de uma novo profissional, que edita vídeos para a web. Mas há coisas que nunca mudam: a ética, o rigor na checagem das informações, a forma de lidar com as fontes.


O que esperar do jornalismo? Estou há 19 anos na PUC. Antes as mudanças na grade eram mais lentas porque a tecnologia também era. Hoje as mudanças são muito rápidas. Não sou dessa visão apocalíptica de que tudo está acabando, o impresso, o papel, os livros. Teremos mais leitores nas telas do que no impresso. Agora, não é por isso que as pessoas não estão lendo. Os cursos precisam se adaptar. Então acho que as grades estão se atualizando mais rapidamente, nesse sentido.


/ LYGIA RIBEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO


FONTE DA NOTÍCIA: ESTADÃO

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